O maior erro do governo federal foi não ter sinalizado aos brasileiros e ao mercado uma disposição forte de contenção de gastos públicos em 2013. Se incluísse na LOA deste ano uma previsão de superávit primário de 4%, e demonstrasse ao longo do primeiro semestre disposição para cumpri-la, talvez, porém só talvez, as manifestações de junho não viessem tão pesadas.
O combate à inflação com a elevação da Selic também demorou a ser feito, o que mostrou claramente a ingerência política no Banco Central na fixação dessa taxa, o que sempre existiu, aliás.
Tais manifestações vão muito além de vinte centavos no aumento de passagens de coletivos. Representam o protesto da população contra os péssimos serviços públicos oferecidos pelos governos das três esferas administrativas (saúde, educação, transporte e segurança pública) em face do avassalador volume de dinheiro recolhido por meio de impostos.
O descaso macroeconômico, a enorme distância entre os projetos (políticos) de governo (o oba-oba da Copa das Confederações e do Mundo) e do povo fizeram junho de 2013 acontecer.
Agora, astuciosamente, o governo de federal planta uma consulta plebiscitária de uma eventual reforma política entre as bandeiras populares de junho, sem que esta jamais tenha sido ostensivamente empunhada. É mais um oportunismo de governo. E isto o povo percebe.
Soma-se a isso falta de carisma da governante.
Enfim, o que se viu em junho é que o Brasil exige serviços de excelência já: em escolas, saúde, serviços de transporte, etc, etc, e isso, infelizmente para os políticos, não será esquecido.
E o problema não é só de QUALIDADE nos serviços, mas de GESTÃO...
Mas esse é um outro assunto.
IL GOVERNANTI
Comentários feitos e conselhos dados aos governantes por um humilde cidadão
domingo, 30 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
Problema do Brasil é crise de confiabilidade da política macroeconômica
Os primeiros indicadores que o mercado, tanto interno como externo, observa são os macroeconômicos. E os indicadores sinalizados pelo governo brasileiro nos últimos meses não são promissores. Vejamos:
- Houve uma redução drástica nas metas de superávit primário nos últimos três anos - para 2013, está em 3,2%, se chegarmos a tanto, contra 4,5% de meta cravada a cada ano do governo Lula. Isso para o mercado significa gastança. Ou seja, a má vontade do governo em economizar para pagar os juros da dívida.
- Foi anunciado o menor contingenciamento orçamentário dos últimos anos em 2013. Apenas R$ 28 bilhões, contra R$ 52 bilhões em 2012. Outro forte sinal que o governo, para o bem ou para o mal, optou pela gastança em 2013. A proliferação dos concursos públicos, com número elevado de cargos, também é outro indicador ruim. Isto porque a máquina estatal na área meio aparenta estar "inchada".
- Outro sinal macroeconômico (e é macroecomia pura) é o grau de intervencionismo do governo. O mercado reagiu muito mal à antecipação dos contratos das empresas de energia sob a alegada necessidade governamental de reduzir a conta de luz de indústrias e consumidores residenciais. Os investidores, os que já estão atuando e os que pretendiam atuar, querem regras claras e estáveis. E esse episódio patrocinado pelo governo contribuiu ainda mais para a desconfiança do investidor,
É certo que a economia norte-americana (se os Estados Unidos não tiverem que entrar numa outra guerra mais à frente) retomou um ciclo de crescimento, com índices fortes (e confiáveis) de elevação do PIB trimestral e do emprego, o que atrai para o dólar e títulos do irmão do Norte investidores que, antes, estavam nos países emergentes. A divisa norte-americana valoriza-se frente a todas as moedas emergentes.
Mas o problema de fundo para a economia brasileira continua a ser a tibieza nos indicadores macroeconômicos. Falta de rumo mesmo.
Tardiamente (não sei se por enfrentar obstáculos de ordem política), o Banco Central começou a aumentar a Selic, que chegou agora a 8% a.a. e certamente irá para 8,50% na próxima reunião do Copom. Leilão de swap cambial, agora dois ao dia, voltam para conter a valorização da moeda norte-americana. Medidas que ajudam, mas são paliativas.
A crise é de confiança. Se o governo tivesse assinalado um compromisso de aperto fiscal e uma meta de 4%, no mínimo, de superávit primário para 2013, talvez o quadro econômica que hoje se apresenta para o país não estivesse ocorrendo.
Não se pode brincar com indicadores macroeconômicos.
Inclusive nem por qualquer Copa do Mundo, nem que ela tenha demorado 64 anos para retornar.
Felizmente, parece que vem uma safra 2012/2013 boa por aí, para arrefecer o preço na feira.
Os primeiros indicadores que o mercado, tanto interno como externo, observa são os macroeconômicos. E os indicadores sinalizados pelo governo brasileiro nos últimos meses não são promissores. Vejamos:
- Houve uma redução drástica nas metas de superávit primário nos últimos três anos - para 2013, está em 3,2%, se chegarmos a tanto, contra 4,5% de meta cravada a cada ano do governo Lula. Isso para o mercado significa gastança. Ou seja, a má vontade do governo em economizar para pagar os juros da dívida.
- Foi anunciado o menor contingenciamento orçamentário dos últimos anos em 2013. Apenas R$ 28 bilhões, contra R$ 52 bilhões em 2012. Outro forte sinal que o governo, para o bem ou para o mal, optou pela gastança em 2013. A proliferação dos concursos públicos, com número elevado de cargos, também é outro indicador ruim. Isto porque a máquina estatal na área meio aparenta estar "inchada".
- Outro sinal macroeconômico (e é macroecomia pura) é o grau de intervencionismo do governo. O mercado reagiu muito mal à antecipação dos contratos das empresas de energia sob a alegada necessidade governamental de reduzir a conta de luz de indústrias e consumidores residenciais. Os investidores, os que já estão atuando e os que pretendiam atuar, querem regras claras e estáveis. E esse episódio patrocinado pelo governo contribuiu ainda mais para a desconfiança do investidor,
É certo que a economia norte-americana (se os Estados Unidos não tiverem que entrar numa outra guerra mais à frente) retomou um ciclo de crescimento, com índices fortes (e confiáveis) de elevação do PIB trimestral e do emprego, o que atrai para o dólar e títulos do irmão do Norte investidores que, antes, estavam nos países emergentes. A divisa norte-americana valoriza-se frente a todas as moedas emergentes.
Mas o problema de fundo para a economia brasileira continua a ser a tibieza nos indicadores macroeconômicos. Falta de rumo mesmo.
Tardiamente (não sei se por enfrentar obstáculos de ordem política), o Banco Central começou a aumentar a Selic, que chegou agora a 8% a.a. e certamente irá para 8,50% na próxima reunião do Copom. Leilão de swap cambial, agora dois ao dia, voltam para conter a valorização da moeda norte-americana. Medidas que ajudam, mas são paliativas.
A crise é de confiança. Se o governo tivesse assinalado um compromisso de aperto fiscal e uma meta de 4%, no mínimo, de superávit primário para 2013, talvez o quadro econômica que hoje se apresenta para o país não estivesse ocorrendo.
Não se pode brincar com indicadores macroeconômicos.
Inclusive nem por qualquer Copa do Mundo, nem que ela tenha demorado 64 anos para retornar.
Felizmente, parece que vem uma safra 2012/2013 boa por aí, para arrefecer o preço na feira.
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